Inspiração
Nos preocupávamos com o crescimento do número de casos de Covid-19 no Brasil, e em especial com a falta de informação dos cidadãos sobre número de contágios. Buscávamos uma maneira de dar uma visibilidade à ameaça, reforçando a necessidade de um isolamento consciente. No entanto, não sabíamos como propor uma solução que não envolvesse certa invasão de privacidade. Foi então que encontramos o artigo “Decentralized Privacy-Preserving Proximity Tracing”, divulgado pelo canal do YouTube “3blue1brown”, em conjunto com os desafios #D025 e #D149, que nos abriu os olhos para a possibilidade de garantir, ao mesmo tempo, informação e privacidade para os usuários.
O que faz o projeto
O aplicativo utiliza a tecnologia Bluetooth Low Energy (BLE), independente de acesso à geolocalização, para informar aos usuários o seu contato com infectados pelo coronavírus. O aplicativo promove uma emissão constante de códigos pseudo aleatórios. Com a proximidade de um outro celular, ocorre o registro e armazenamento dos códigos trocados no celular. No momento em que um dos usuários é diagnosticado com Covid-19, os códigos enviados pelo celular do infectado nos últimos 14 dias devem ser enviados a um banco de dados externo. Esse banco de dados, então, envia esses códigos via internet para todos os outros usuários, e cada aplicativo os compara com os códigos recebidos armazenados. Dessa maneira, os celulares que receberam os códigos do celular do infectado reconhecem esse contato e informam aos usuários a possibilidade de contágio para que se isolem. O aplicativo não só ajuda na adoção de medidas de isolamento mais eficazes, como também promove a saúde de seus usuários. Através do aplicativo, portanto, os usuários seriam informados sobre o contato com infectados pelo novo coronavírus de forma ágil e sigilosa, podendo se isolar e, assim, tomar as precauções necessárias para evitar o aumento na disseminação do vírus.
Como fizemos
Criamos um aplicativo em React Native, tendo como referência e como inspiração o projeto DP^3T (disponível em https://github.com/DP-3T). Para implementar a funcionalidade Bluetooth, utilizamos a biblioteca React Native BLE Advertiser (disponível em https://github.com/vitorpamplona/react-native-ble-advertiser).
Dificuldades que encontramos
Essa foi a primeira experiência do grupo com a criação de um aplicativo para celular. Tivemos ainda que aprender React Native. Achamos a configuração do ambiente de desenvolvimento e build para Android mal documentada na documentação do React Native, o que se apresentou como um complicador para o desenvolvimento do aplicativo. Além disso, não conseguimos fazer a comunicação entre o aplicativo e um servidor, mas acreditamos que com maior tempo e infraestrutura para o desenvolvimento da tecnologia isso seria possível.
Realizações das quais nos orgulhamos
Nos orgulhamos de termos construído uma demonstração do aplicativo com a funcionalidade Bluetooth implementada. Utilizamos uma biblioteca recentemente desenvolvida e implementamos essa nova tecnologia, buscando contribuir para a comunidade open source.
Também estamos satisfeitos com o nosso progresso como equipe: gerenciar um projeto com 11 pessoas foi um desafio concretizado com competência por meio do uso de diversas plataformas como Discord e Trello, e reuniões constantes para nos atualizarmos das atividades desempenhadas por cada um. A boa gestão da nossa equipe possibilitou que nossos integrantes trabalhassem com muito afinco e dedicação nas áreas que mais dominavam.
Além disso, nos sentimos realizados por dar visibilidade à ideia de um aplicativo que pode ajudar no enfrentamento da pandemia sem abrir mão da privacidade dos usuários. O Hackathon nos deu a oportunidade de contribuirmos para a luta contra o novo coronavírus, e acreditamos que a solução que propusemos pode vir a ter um papel relevante para a comunidade.
O que aprendemos
Ao ler os desafios e refletir sobre possíveis soluções, descobrimos diversas iniciativas já existentes para a melhoria do Sistema de Único de Saúde e para o combate ao novo coronavírus.
Aprendemos a desenvolver um aplicativo para android e a implementar Bluetooth Low Energy (BLE) com React Native.
Passamos a olhar com maior atenção para a questão da privacidade e constantemente nos deparamos com encruzilhadas nas nossas próprias ideias. Assim, durante o desenvolvimento do aplicativo, tivemos que ficar alertas para contornarmos possíveis contradições na nossa proposta.
Próximos passos
A partir do momento que um usuário é diagnosticado com Covid-19, é necessário que o seu médico envie os códigos emitidos pelo seu celular nos últimos 14 dias para o banco de dados externo. Isso poderia ser feito por uma versão para médicos do aplicativo que solicitaria acesso aos dados do celular do paciente e enviaria para o banco de dados, sem que houvesse identificação do usuário infectado e que fosse de fácil manuseio para os profissionais da saúde. Essa versão para médicos poderia exigir o CRM e a assinatura eletrônica do médico, e deveria ser suficientemente segura para que somente esses profissionais tivessem acesso.
Pensamos que a verificação dos códigos do banco de dados pelo aplicativo pode ser feita enquanto houver internet, mas que a notificação do contato com algum infectado pelo coronavírus só ocorresse duas vezes por dia. Essa estratégia reforça o conteúdo anônimo do aplicativo, já que o reconhecimento do contato não é feito imediatamente, além de não gerar um medo constante do contágio. Ao mesmo tempo garante uma frequência alta de checagem.
Como o objetivo desse aplicativo é que seja utilizado em larga escala (em grandes cidades, em estados ou até mesmo no país inteiro), a versão apresentada ao público deve ser validada em um projeto piloto. É interessante, portanto, que esse aplicativo seja testado inicialmente em alguma cidade pequena, para que se possa ter uma melhor compreensão do seu alcance e utilização. Dessa maneira, poderiam ser identificados pontos de melhoria e poderiam ser adicionadas novas funções a ele.
Para que o aplicativo seja eficaz, é necessário que uma porcentagem considerável da população o utilize. Para estimular o público a baixá-lo, pensamos na realização de parcerias com empresas que prosperam no contexto da quarentena. Serviços de entrega domiciliar poderiam dar descontos àqueles que baixarem ou que tiverem o aplicativo em seus celulares como forma de propaganda e incentivo. Serviços de streaming e jogos eletrônicos poderiam divulgar e oferecer vantagens àqueles que tiverem o aplicativo. Além disso, poderíamos contatar hospitais, clínicas e laboratórios de exames para que divulgassem o aplicativo ao público geral.
Seria interessante que o aplicativo tenha um risk score dinâmico que seria baseado no número de códigos recebidos provenientes de pessoas infectadas e que refletiria o tempo de contato com infectados. Poucos códigos recebidos de infectados significaria um contato muito curto, com pouco risco de contágio, enquanto muitos códigos recebidos de infectados significaria um contato mais prolongado e, por isso, um maior risco de contágio. Assim, só haveria necessidade de notificação nos casos em que o usuário recebeu um número de códigos de infectados acima de um número pré-estabelecido. Esse número poderia ser estabelecido por autoridades de saúde com base em estudos a respeito do tempo de contato necessário para a transmissão do vírus.
Built With
- android-studio
- flask
- javascript
- marshmallow
- python
- react-native
- react-native-ble-advertiser
- sqlalchemy







Log in or sign up for Devpost to join the conversation.